ATUALIZANDO A DISCOTECA: Elizabethan Walpurga, “Walpurgisnacht” (2017)

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Elizabethan Walpurga: “Walpurgisnacht” (2017, Shinigami Records) NOTA:9,0

Descobri, através do conto “O Hóspede de Drácula”, de Bram Stocker, (que seria, na verdade, um capítulo original de “Drácula” deixado de fora da edição final por questões de estrutura de romance) que Walpurgisnacht, a Noite de Walpurgis, seria a noite em que as bruxas se reuniam nas montanhas para uma orgia demoníaca. Um tema também ligado ao vampirismo, por suas conotações pagãs e ocultistas, e que batiza o álbum de estréia da banda pernambucana Elizabethan Walpurga, uma alcunha carregada ainda mais de referências vampíricas em seu nome.

Confira aqui, nosso texto com uma “Breve História Literária dos Vampiros…

Pela temática, e pela sonoridade que mistura Heavy Metal Tradicional, Black Metal e outros elementos musicais climáticos, de sabor gótico, é impossível não pensar nos primeiros anos do Cradle of Filth como referência sonora e estílica.

Todavia a identidade da banda é menos catártica e dramática, construída por ascendências de Iron Maiden, Dark Tranquillity, Metallica, Katatonia, Septic Flesh, Sentenced, Anathema e Amorphis, bem como pelo eruditismo e virtuose de nomes como Vivaldi, Pagnini e Bach, num vórtice de referências de onde brotam suas composições que versam sobre o vampirismo.

Formada no início de 1994 pelo baixista Renato Matos, junto aos guitarristas Erick Lira  e Breno Lira, no ano seguinte, após mudanças na formação, Belchior de Melo e Leonardo “Mal’lak” Alcântara assumem, respectivamente, a bateria e os vocais, estabilizando a formação e dando oportunidade de registrar sua primeira demo tape “… The Darkness… The Wrapping Tranquillity …” . A próxima demo só viria em 2000, intitulada “Desire”, e dois anos depois findam suas atividades, que só seriam retomadas em 2015, já com Arthur Felipe Lira na bateria, frutificando este álbum que temos em mãos, via Shinigami Records.

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A banda Elizabethan Walpurga, oriunda dos trópicos pernambucanos, consegue imprimir em sua música um panorama de covas, luares, crucifixos, e sangue, que nos remetem a paragens entre o Rio Danúbio e os Cárpatos, onde se pode ouvir os lobos uivando em um uma noite fria ao lado da lareira, por linhas virtuosas e obscuras, numa fusão de Heavy e Black Metal. 

A introdução “Exordium”, com cinematográfico sabor obscuro já te coloca no clima requintado de terror/gótico impresso ao longo do trabalho, dado espaço para a bem desenhada “Vampyre”, onde já podemos destacar o esmero instrumental, principalmente nas guitarras e nas linhas imponentes de baixo, em frases que beiram o metal neoclássico, de virtuosismo “bachiano”, em conluio à pesados movimentos típicos do Black Metal, amainando a brutalidade, e adornando de modo inteligente o obscurantismo temático.

E esta pompa neoclássica estará presente em faixas como “Clamitat Vox Sanguinis”, “Infernorium” (abusando um pouco mais do limite de velocidade), ou nas mais longas, e trabalhadas em dinâmicos andamentos e arranjos, “The Elizabethan Dark Moon”, “Transylvanian Cry” (densa e flertando com o progressivo), “Walpurgisnacht”, que exploram detalhes em violões de nylon, revelando influências pontuais de Paco de Lucia e Andrés Segovia, que só enriquecem ainda mais a sonoridade, dando um refinamento gótico quase irresistível.

Contudo, “The Serpent’s Eyes and the Horns of Crown”, se sobressai ao desfilar um preciso, direto e melódico resumo de sua proposta para o Black Metal, construído sobre os tradicionalismos do Heavy Metal, técnico e diferencial.

Confira a faixa “Transylvanian Cry”… 

Ao contrário de seus congêneres, não investem na brutalidade, lascívia, profanação, ou velocidade, preferindo a cadência para desfilar sua música tecnicamente rica ao longo de composições que refletem muita maturidade do quinteto pernambucano.

Neste sentido, acredito que se a produção tivesse deixado as guitarras menos limpas e digitais, e dado mais pompa à textura da bateria, o resultado seria ainda melhor e imponente. Alguns vocais ainda parecem “escondidos” atrás das guitarras em pontuais momentos, sendo um fato pode ser melhor trabalhado no futuro, pois os vocais de Mal’lak são de alta contribuição para o resultado final dinâmico do trabalho.

Mesmo assim, o saldo final não é prejudicado, sendo incrível perceber como uma banda oriunda dos trópicos consegue imprimir em sua música um panorama de covas, luares, crucifixos, e sangue, que nos remetem a paragens entre o Rio Danúbio e os Cárpatos, onde se pode ouvir os lobos uivando em um uma noite fria ao lado da lareira.

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