ATUALIZANDO A DISCOTECA: Wreche, “Wreche” (2017)

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Wreche: “Wreche” (2017, Fragile Branch Recordings) NOTA:9,0

Em 1950, o saxofonista Ornette Coleman se rebelou dentro da estética jazzística, não se prendendo mais pelas pré-determinações de compositores e arranjadores, ao propor se tornar o próprio compositor enquanto tocava. Nascia aí o Avant-Garde Jazz, ou Free Jazz.

Mas o que isso tem a ver com este álbum do Wreche?

Bem… Após a climática introdução “Pruning the Spirit” o duo norte-americano formado por John Steven Morgan (Piano, Vocais) e Barret Baumgart (bateria), praticam exatamente este estilo jazzístico, mas por vias originais, peculiares e mais do que interessantes, mergulhando na estética Black Metal, com andamentos catárticos e velozes, e vocal desesperador, como se registrado dentro de uma catacumba intra-terrena.

Confira a faixa “Angel City”… 

Sim, é isso mesmo, Black Metal entrelaçado helicoidalmente ao Free Jazz. Ou seja, inseriram a célula rítmica veloz e brutal que dá certa regularidade à estrutura musical do Heavy Metal, para derramarem atonais melodias ao piano, trazendo ainda mais o ruído para a música, desprendendo-se totalmente dos parâmetros instrumentais pela ausência de frequências comuns aos arranjos guiados por guitarra-baixo, imprimindo indefinição jazzística dentro da própria música.

Ou seja, é um caos!

Mas um caos artístico, cujas notas fractais se desenrolam numa entropia que o transforma em arte musical desesperadora, ousada, e virtuosa, por amalgamar a “libertinagem” do Free Jazz com a dramaticidade primitiva e extrema do Black Metal, dentro de uma atmosfera mórbida, causticante, bizarra, minimalista, decadente, suja, destrutiva e rústica.

O duo norte-americano Wreche, formado por John Steven Morgan (Piano, Vocais) e Barret Baumgart (bateria), pratica uma fusão de Free Jazz com Black Metal que é um ataque aos sentidos! 

“Wreche” , álbum auto-intitulado, é um ataque aos sentidos!

Um amálgama de puras essências anticomerciais ao longo de suas cinco faixas labirínticas e imprevisíveis, com efeitos climáticos pontuais, se desenvolvendo entre profanações instrumentais e momentos de beleza quase erudita (como em “Petals”), numa produção crua e áspera que quase simula um velho gramofone.

Nesse panorama, emerge do éter musical faixas como “Angel City”, “Fata Morgana” (uma épica batalha musical entre beleza mórbida e vulgaridade brutal), e “Vessel” (com doses groovadas de bateria), emocionalmente tempestuosas, caminhando pelo Black Metal de modo diferenciado e instigante, assassinando o silêncio com energia feroz e vulgar.

Esse derramamento de notas vigorosas ao piano, como granizo em meio a uma tempestade pelas linhas de bateria, é a epítome do dualismo musical, sendo belo e grotesco ao mesmo tempo, num trabalho pouco convencional, mas que pode soar indigesto até mesmo para os amantes das artes negras e cruas do Heavy Metal.

Saiba mais sobre o Free Jazz em nossa “Breve História Discográfica do Jazz”, aqui.

Saiba mais sobre o Black Metal e o Inner Circle, aqui

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