SEU JUVENAL: Entrevista com Renato Zaca

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O Seu Juvenal é, como eles próprios se descrevem, “muito punk para ser metal e muito vintage para ser indie”. Mas isso não é reflexo de quem não sabe o que quer! Muito pelo contrário, como nos mostrou  conciso álbum “Rock Errado”. Agora, findada a turnê de divulgação deste trabalho, que visitou várias cidades nas regiões sudeste e centro-oeste do país, o Seu Juvenal vem apresentar seu novo projeto, “Maldito Rock”, uma apresentação do Seu Juvenal interpretando composições dos “Malditos da MPB”. Confira nossa entrevista com o baterista Renato Zaca sobre estes e outros assuntos que cercam a banda. 

Aproveite e ouça o álbum “Rock Errado” enquanto lê a entrevista… 

Antes de iniciar as perguntas, peço que façam uma pequena auto apresentação da banda para abrir a postagem.

Renato Zaca – Somos Zacca na guitarra, Tito no baixo, Bruno na voz e Renato na bateria. Somos uma banda mineira de rock autoral com letras em português. Temos três discos de estúdio e amamos tocar ao vivo.

O primeiro álbum da banda “Rock Errado”, traz um construção musical e lírica que beira um conceito filosófico. Poderia nos explicar todo este conceito de “Rock Errado” que vocês exploram? Pensando na gênese rebelde do Rock, existe uma “forma certa” de se praticar o estilo?

Renato – Na verdade o Rock Errado é nosso terceiro álbum. O primeiro é “Guitarra de pau seco” e o segundo é o “Caixa Preta”. Falando do Rock Errado, foi um álbum que fizemos com muita vontade! A caminhada até ele nos ensinou muito e usamos todo este conhecimento para criar um trabalho que fosse forte e verdadeiro. Por nunca acreditarmos em uma forma correta de se fazer rock, este álbum explica muito bem toda a essência do nosso trabalho, nós somos rock errado justamente porque nos sentimos livres para compor como bem quisermos, sem nenhuma pressão mercadológica para nos atrapalhar.

O baterista Renato Zaca declarou que o Seu Juvenal “é uma banda obstinada a trair movimentos”, o que também cabe aos nomes da cena “maldita” da MPB. Podemos dizer que existe uma ascendência desta cena, não somente musical, mas “filosófica” na alma da banda, ainda maior do que as composições deixam transparecer? Vocês não temem serem musicalmente incompreendidos da mesma maneira que aconteceu a estes compositores?

Renato – Essa coisa de trair movimento é muito libertador, não precisamos ter sempre uma legenda explicando aquilo que estamos ouvindo ou observando, é muito mais interessante estar disposto a poder tirar suas próprias conclusões sem se preocupar em gostar de algo que não se encaixe a determinado estilo. Isso ajuda e muito na nossa jornada pois nos coloca em uma espécie de zona neutra, quem anda por ali não tem medo de experimentar. A filosofia do maldito é desafiadora e muito recompensadora.

Confira nossa resenha sobre o álbum “Rock Errado”, aqui… 

Confesso que sou um admirador desta geração, sé é que podemos dizer que existiu uma geração “maldita” da MPB, até em maior apreço do que disponho aos cânones do gênero. Como nasceu a ideia do projeto com releituras destes compositores? E principalmente, qual o significado para a banda, de reviver nomes tão importantes de nossa música para seus fãs? Acredito alguns deles até mesmo desconhecem parte destes compositores.

Renato – São vários os benefícios deste projeto que estamos chamando de “Maldito Rock”. As releituras estão saindo muito naturalmente nos ensaios e todas com a identidade musical do Seu Juvenal. Isso porque escolhemos tocar músicas de compositores que consideramos de muita atitude artística. A atitude é tão importante no rock em geral e vejo que muita gente por aí se esquece disso. Será muito bom poder apresentar este show para nosso público, eles poderão saber da existência desses monstros da música brasileira e irão compreender exatamente como essas músicas são importantes para nós assim como o rock, o metal e o punk também são. Além disso poderemos nos expor para um outro tipo de público que navega pelas composições mais brasileiras e que poderão conhecer uma banda de rock que conhece e valoriza esse tipo de trabalho. No fim das contas será uma ponte bem legal de se percorrer.

Poderia nos adiantar algumas composições que vocês irão desenvolver neste projeto intitulado “Maldito Rock”?

Renato – Prefiro citar aqui nomes de alguns dos compositores e assim o leitor poderá descobri-los também. Itamar Assumpção, Jards Macalé, Arnaldo Baptista, Sérgio Sampaio e por aí vai….

Neste contexto, o quanto a obra destes compositores ainda se mostra relevante nos dias de hoje, para as novas gerações, pensando na musicalidade ousada e na inovação poética?

Renato – Quando começamos os ensaios do Maldito Rock, nos surpreendemos demais com tamanha contemporaneidade dessas músicas. São letras de contexto muito atual e arranjos que eram muito além da época em que foram gravadas. Tenho certeza que esse fator nos ajuda bastante na hora de colocar nossa cara nas composições pois fica muito fácil traze-las mais próximas de nosso universo sonoro.

capa-rock-errado_seu-juvenal“Por nunca acreditarmos em uma forma correta de se fazer rock, este álbum explica muito bem toda a essência do nosso trabalho, nós somos rock errado justamente porque nos sentimos livres para compor como bem quisermos, sem nenhuma pressão mercadológica para nos atrapalhar.” Renato Zaca.

A história nos mostra que os festivais sempre foram muito importantes para a música nacional, e foi de onde brotaram os compositores como JardsMacalé, Sérgio Sampaio, Walter Franco e Jorge Mautner, até chegarmos aos festivais modernos. Irrefutavelmente, estes festivais têm nos mostrado que algumas amarras da música brasileira têm sido desatadas, como por exemplo, o fato de não causar mais desconforto bandas nacionais que cantem em inglês, ou se dediquem à música instrumental. Neste contexto, como o cenário atual tem se aberto à música libertária e sem fronteiras genéricas, que vocês entregam ao público? Ainda vou mais além, como conseguir se destacar num cenário cada vez mais viciado dentro do ciclo “circulação-legitimação-consumo”, onde a exposição de massa das rádios e da Tv está cada vez mais atrelada aos investimentos financeiros e não à qualidade musical?

Renato – É muito importante que o artista assuma e agarre com unhas e dentes o caminho que ele acredite ser o mais verdadeiro e melhor para seu trabalho. Nunca foi fácil nadar contra a corrente, nunca foi fácil tentar trabalhar e vender algo que não se encaixe nos padrões comerciais mas também não é impossível. Acredito também que esta dificuldade em alcançar um maior reconhecimento por parte da grande mídia, acabou fortalecendo os profissionais que trabalham no underground em diversas áreas para que este se mantenha em pé e funcionando, tanto é que temos muita gente boa por aí gravando, fazendo turnês e produzindo de alguma forma. Apesar de vivermos em um momento “morno” eu acredito na reviravolta.

Qual a abordagem das releituras? Rock, ou MPB?

Renato – É um trabalho de rock. Como eu disse anteriormente, Seu Juvenal coloca sua identidade sonora nessas composições.

Seria interessante registrar o projeto em um álbum? Já existem planos neste sentido?

Renato – Interessante com certeza seria pois estamos muito felizes com o resultado mas ainda não seria algo concreto. Esperamos alcançar algo a mais com os shows e ver o que iremos poder colher para trabalhar mais a frente.

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o Seu Juvenal é, como eles próprios se descrevem, “uma banda destinada a trair movimentos”. Sobre isso, Renato Zaca comenta: “Essa coisa de trair movimento é muito libertador, não precisamos ter sempre uma legenda explicando aquilo que estamos ouvindo ou observando, é muito mais interessante estar disposto a poder tirar suas próprias conclusões sem se preocupar em gostar de algo que não se encaixe a determinado estilo.”

Os tempos mudaram e as pessoas não estão mais consumindo a música como antigamente, num processo que envolve reflexão. Você acredita que esta nova geração está aberta a entender músicas tão anticomerciais, cujas mensagens passavam despercebidas até mesmo aos censores da ditadura?

Renato – A maneira de se consumir a música mudou sim e abre parâmetros para se desenvolver novas abordagens comerciais mas não podemos nunca subestimar a inteligência alheia! Rs Além disso existe um grande público que não atura mais tanta bobagem enlatada e que busca coisas novas e diferentes por aí. Nós podemos perceber isso por onde passamos.

Particularmente, Sérgio Sampaio é meu compositor favorito desta cena, e acho seu disco “Tem que Acontecer” (1976) uma obra-prima. Existe algum álbum que indicaria como essencial para quem quiser se iniciar nesta cena maldita da MPB?

Renato – Realmente Sérgio Sampaio é gigantesco e sua poesia maldita é espetacular! Uma outra obra prima para mim é o disco do Arnaldo Baptista, “Arnaldo & Patrulha do Espaço”. Vale muito a pena conhecer.

Para finalizar, agradeço a oportunidade da entrevista, e fique à vontade para pontuar algo que queira mencionar fora das perguntas acima, como os planos futuros da banda, shows, próximos lançamentos e projetos paralelos. 

Renato – Nós do Seu Juvenal que agradecemos esse espaço e a honra de podermos dividir nosso trabalho com vocês!

Esperamos que você e seus leitores algum dia possam ir nos ver ao vivo e que a partir deste momento possam acompanhar nosso trabalho que está disponível no canal do Seu Juvenal no Youtube, Facebook, Instagram e na página oficial da banda http://www.seujuvenal.com.br onde inclusive está a disposição de todos o download gratuito do álbum “Rock Errado”. Grande abraço!! Vlw

Renato Zaca indica:
• Joe cocker – Something To Say
• No Youtube o show Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia
• E o livro da Kim Gordon – “A Garota da Banda”

Mais Informações:
http://www.facebook.com/seujuvenalmg
http://www.twitter.com/seujuvenalmg
http://www.soundcloud.com/seujuvenal
http://www.youtube.com/seujuvenalmg
http://www.sapolioradio.com.br

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