ATUALIZANDO A DISCOTECA: Hamilton de Holanda Quinteto, “Casa de Bituca” (2017)

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Hamilton de Holanda Quinteto: “Casa de Bituca” (2017, Biscoito Fino) NOTA:10

Meu amigos, isso é o mais puro exemplar do Jazz Brasileiro!

Duvida? Então ouça “Bicho Homem”, faixa de abertura deste “Casa da Bituca” e repense suas convicções, pois é a típica música brasileira, de bucólico sabor interiorano, timbragem e instrumental tupiniquim, desenvolvida pela geometria assimétrica e explosiva do Jazz, numa união do grande Hamilton de Holanda e seu quinteto com Milton Nascimento.

E esta é exatamente a proposta de todo o álbum: revisitar clássicos de Milton Nascimento (o Bituca) com parceiros como Fernando Brant, Lô Borges e Marcio Borges, sobre a personalidade singular do quinteto. E, neste contexto, “Bola de Meia, Bola de Gude”, “Clube da Esquina Nº 2” “Canção da América” ganharam ainda mais força e poderio lúdico nestas releituras.

Quem já mergulhou na obra de Milton sabe o quão jazzística ela se mostra, mesmo que vestida por outras roupagens. Não à toa Wayne Shorter o convidara para tocar nos EUA após assistir a um show seu, ou Pat Metheny tenha se apaixonado por suas músicas e se declarar um grande fã do álbum “Clube da Esquina”.

Não obstante, em 2015, a prova cabal se deu com “Tamarear”, excelente projeto ao lado do Duda Lima Trio, que escancara o Jazz implícito em suas músicas. Agora, é vez do jovem e renomado quinteto de Hamilton de Holanda reverenciar a obra de Milton.

Confira o clipe da faixa “Bicho Homem”… 

O quinteto, além de Hamilton de Holanda (bandolim 10 cordas),  é completado com André Vasconcelos (baixo acústico), Gabriel Grossi (harmônica), Márcio Bahia (bateria) e Daniel Santiago (violão), e seu legado já inclui três discos, os três “Brasilianos”, lançados, respectivamente, em 2006, 2008. e 2011, todos indicados ao Grammy Latino e consagrados nos prêmios TIM, Prêmio da Música Brasileira, Revista Jazz+, entre outros importantes veículos especializados.

Agora, este álbum, que ainda marca os 10 anos do lançamento do primeiro álbum do quinteto, reforça a identidade do grupo dentro da música instrumental brasileira, fato corroborado pelas composições próprias “Guerra e Paz I” (Hamilton de Holanda), que já figurava no disco “Brasilianos 3” (2011), e “Mar da Indiferença” (onde o bandolinista assume pela primeira vez, em estúdio, os vocais), canção inspirada na triste foto do menino sírio que virou um símbolo do tenso momento em que vivemos.

Obviamente, o que temos em mãos é um disco altamente técnico, de evoluções instrumentais intricadas, como em “Maria Três Filhos”, mas sem perder o sabor acessível e envolvente das composições, principalmente das mais conhecidas, criando uma aura reverente advinda dos detalhes bem talhados, numa riqueza musical que gera gratidão na audição.

Extrapolando os vocais de Hamilton e Milton Nascimento, temos uma belíssima e emocionante interpretação de Alcione para o clássico “Travessia”, desvelando o lugar de fascínio que se encontra na fronteira entre a erudição e  o popular.

Não perca tempo e confira já esta peça música brasileira de prosa refinada, tecnicamente complexa, e sofisticada por definição.

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