ATUALIZANDO A DISCOTECA: Fernanda Branco Polse, “Bicho Branco Polse” (2016)

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Bicho Branco Polse
Fernanda Branco Polse: “Bicho Branco Polse” (2016, La Femme Qui Roule) NOTA: 9,0

A criatividade e bom gosto advindos da sensibilidade e cuidado já são sentidos quando tomamos contato com a embalagem que apresenta este álbum! É uma simplicidade tão inteligente e instigante que nos faz desejar ouvi-lo de imediato. E quando a música irrompe o silêncio é impossível não se envolver.

Fernanda Branco Polse é uma artista em sua plenitude. Cantora, compositora e artista visual, natural de Londrina, viveu dez anos em Belo Horizonte e hoje reside em São Paulo. Experimental, poética, sensível e classuda, Fernanda consegue, em “Bicho Branco Polse”, seu primeiro álbum, ser requintada e ousada, enquanto remodela os segredos do Trip Hop no torno da MPB e do Jazz, adornando seu artesanato musical pela paleta de cores do downbeat, do dub, e da música eletrônica.

Confira a faixa “Laranja Neon”… 

Toda esta alquimia está muito bem homogeneizada na belíssima “Laranja Neon”, uma das canções mais bonitas que ouvi neste ano. Seguem como maiores destaques “Pillow Fight” “Wet for Her” (perspicaz caricatura moderna da música popular).

Ao todo são dez composições de sua autoria. Viagens musicais e líricas que tangenciam uma psicodelia jazzística, onde até mesmo as palavras se fazem movimento dentro da abstração musical, que ganharam forma por diversas parcerias, e emolduram uma prática poética pujante sobre erotismo, força, dor e amor. Segundo ela, “um tipo de amor expandido, para além da ideia de amor romântico. Sobre a existência transmutável em experiência, imagem e poesia”.

“Cisne” abre o trabalho com uma batida cadenciada e hipnotizante, pincelada por detalhes jazzísticos “noir”, mesclando intensidade, arranjos ácidos e versos que poetizam alegorias cotidianas. Imagino que se Beth Orton tivesse composto o clássico “Waiting For The Miracle”, soaria muito próximo desta ótima composição. E se existisse alguma dúvida sobre a filosofia por trás das letras, versos como “pra eu ser forte como um cavalo novo/ com fogo nas patas/ correndo em direção ao mar/eu não posso estar embocada ao seu falo”, presentes nesta composição, seriam confessionais.

Confira a faixa “Cisne”… 

Musicalmente, o groove amaciado de “Cisne reaparecerá desconstruído na sincopada “Lichia”, de arranjo quase dissonante entrelaçado a quatro versos eloquentes, e desenvolvido de modo aconchegante como um abraço num dia frio em “Oxossi”.

Tudo neste trabalho, versos e arranjos, principalmente, estampam revolução. Gritam ousadia musical, e sagazmente refletem, por um prisma lírico moderno, temas do universo feminino. Nas palavras de Fernanda, “Sendo mulher o feminismo já estava destinado a me encontrar. E acho que ele me encontrou de forma tímida ainda jovem. Sempre tive essa pulga atrás da orelha e um dia ela virou um cão que late. Diante de tantas denúncias e constatações não tem como ficar em cima do muro. Eu sempre falo que o feminismo é uma lente permanente e uma vez que ela se instala nas suas retinas, você não tem como fingir que não é com você. E isso é revolucionário!”.

Confira a faixa “Soho Grand Hotel”… 

Existe ainda um acinzentado melancólico onipresente no álbum, que pode ser consequência da alta dose de timbragens eletrônicas despejada nos arranjos, e nas texturas menos orgânicas que coloriram a instrumentação usual, como bem mostram as experimentais “Erótica” (com seu clima post-punk), “Deserto” (com arranjos de baixo e final orgástico), “Soho Grand Hotel”, e o desfecho quase introspectivo com a já citada “Oxossi”.

Este álbum nos permite testemunhar o nascimento de uma compositora promissora, destemida, e consciente de sua arte, letrista instigante e imagética, ficando claro que existe muito de si em cada panorama desenhado por suas palavras. Além disso, a preocupação com os detalhes é nítida em cada canção, mesmo nas mais experimentais, principalmente pelos arranjos que inferem um torpor febril pela “inorganicidade” de sua produção, criando uma identidade nem brilhante demais para ser neve, ou tão rubra para ser fogo.

Experimental, poética, sensível e classuda, Fernanda Branco Polse é uma artista em sua plenitude, que consegue, em “Bicho Branco Polse”, seu primeiro álbum, ser requintada e ousada, onde até mesmo as palavras se fazem movimento dentro da abstração musical...

“Bicho Branco Polse” foi financiado de forma totalmente independente pela artista e foi lançado em parceria com o selo mineiro La Femme Qui Role, e produzido por Leonardo Marques (Transmissor) além das participações de grandes músicos e amigos.

Desta forma, o que Fernanda nos prove é uma prosa musical refinada, construída engenhosamente sobre uma liberta geometria musical assimétrica, com resultado final complexo, de beleza exótica, sofisticada por definição, sendo  “Bicho Branco Polse” um disco para quem não se apega a regras, dando mais importância à originalidade e à personalidade, aos andamentos pormenorizados, e texturas, sentimentos e timbragens otimizados.

Desta corajosa forma musical quimérica, “Bicho Branco Polse” emerge cumprindo a missão de apresentar a artista, gerando curiosidade e expectativa por seus próximos passos.

Escute Bicho Branco Polse no Spotify, Deezer, Apple Music, Soundcloud ou Youtube.

Redes Sociais

Site Oficial: https://www.bichobrancopolse.c om/

Facebook: https://www.facebook.com/bicho brancopolse/

Instagram: https://www.instagram.com/BICH OBRANCOPOLSE/

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