ATUALIZANDO A DISCOTECA: Stoyca, “Ninguém Estava Aqui” (2016)

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Stoyca, “Ninguém Estava Aqui” (2016, Independente). NOTA:9,0

Posso até soar repetitivo, mas sempre que ouço um álbum como este “Ninguém Estava Aqui”, da banda brasiliense Stoyca, fico pensando em todas as vezes que li ou ouvi os maldizeres à música nacional atual! Nossa música não está respirando por aparelhos como alguns gostam de alardear, mas sim nossos consumidores de música que possuem uma conduta discutível!

Divagações à parte, a banda Stoyca possui três anos de existência, onde lançou um EP homônimo em 2015, e “Ninguém Estava Aqui” em 2016, seu álbum de estréia.

De imediato “Engarrafado”, faixa de abertura, vai chamar sua atenção pelos arranjos diferenciados, mesclando experimentações entre o tradicional e o moderno, com um groove R&B amaciado, uma dose homeopática de psicodelia eletrônica, melodias vocais bem desenvolvidas, e versos bem encaixados na métrica, além de muitos detalhes.

A banda Stoyca apresenta uma música texturizada, diferenciada, e moderna, ora caminhando pela vanguarda, ora mergulhando na normalidade da música pop, mas nunca soando genérico, ou comum, discutindo, em suas letras, alguns dilemas atemporais que permeiam a sociedade…

Ou seja, temos mais um rico material em mãos, que maneja as possibilidades modernas de mesclar texturas, estilos e eras musicais,  brincando com contradições entre sabores orgânicos e sintéticos, numa suíte de opostos que se completam, se anulam e se aproximam.

Este comportamento inquieto e criativo, resulta em canções de andamentos inspirados e pormenorizados, frutos de exorcismos musicais da cabeça de Jorge Verlindo (guitarra e voz), que lidera a banda e é responsável por todas as composições.

Ou seja, temos uma música texturizada, diferenciada, e moderna, mas solidificada pelos tradicionalismos da música brasileira, do Rock, do Trip Hop, e do Jazz, ora caminhando pela vanguarda, ora mergulhando na normalidade da música pop, mas nunca soando genérico, ou usual! Sempre existe aquela fagulha de personalidade, aquele adorno exótico, aquele passo pra fora do lugar comum.

Confira a faixa “Uruboro”… 

São exemplos claros deste fato faixas como “Bruxa Cega”, “Lua Cheia no Céu Claro” (belíssima), e “Valha” (esta por uma fusão de música eletrônica e refrão pop/rock), que reconstroem a cadência do samba e da Bossa Nova por vias que se cruzam com o Trip Hop, difusamente iluminadas por timbragens psicodélicas, enquanto “Alongamento” desfila muita sensibilidade em acordes de violão, vocais melodiosos e batida viajante.

Já nestas composições podemos perceber uma miríade multicolor de influências, que vão de Paulinho da Viola, e Lenine, a Portishead, Massive Attack e Radiohead, dinamizando a música brasileira pela modernidade, tornado-a mais acessível e envolvente às novas gerações pelas inserções de indie rock, como fica mais evidente em faixas como “Notícias da Hora”, “Sem Ferradura”, e “Voltinteira”, que  são típicos exercícios de pop/rock, se tornando diferenciadas pela criatividade dos detalhes, com vocais e batidas insinuantes, criando requinte pela realocação de simplicidades.

Confira a faixa “Flor no Breu”… 

Liricamente, discutem alguns dilemas que permeiam a sociedade, principalmente as diversas formas de violência, tornando seu discurso atual e conciso, mas também poético. Profundamente poético! Sobre isso, Jorge esclarece: “Sinto em todo o álbum tem uma violência contida que o permeia. Ele é um estudo sobre as deformações que a gente sofre diariamente e algumas delas vêm da violência. ‘Bruxa Cega’ é sobre um transe que nos faz engolir o que os meios transmitem sem nos questionarmos, e essa violência é apenas parte disso. Ela é acima de tudo a própria forma como tudo pode virar um show e de repente esquecermos o que importa”.

Essa crítica forte à sociedade atual motivou a banda a desenvolver uma das ações mais criativas que eu já vi nesta nova forma de se consumir música via download.

Como um jogo de associação de emoções, o ouvinte pode conferir, num site especial, a primeira composição do álbum, após clicar em um avatar similar aos da capa, que tem bem demarcado seu humor pela expressão de seu rosto. Após este primeiro passo, a sequência das músicas é guiada por perguntas de dupla-escolha. A cada resposta uma nova faixa é disponibilizada. Este elemento é interessante pois direciona a sequência do álbum de acordo com o humor de quem está descobrindo o trabalho, criando um laço sensível entre ouvinte e banda.

Além disso, após a experiência você pode escolher baixar o álbum na ordem em que ouviu ou na ordem original. Para conferir, acesse http://ninguemestavaaqui.com.br/.

Confira a faixa “Lua Cheia no Céu Claro”… 

Por fim, podemos afirmar que o ápice da fórmula da Stoyca vem nas belíssimas “Flor no Breu” “Uroborus”, que conseguem resumir com muita excelência e originalidade toda a abordagem desfilada ao longo de “Ninguém Estava Aqui”, num quebra-cabeças de música brasileira, Rock, Trip Hop, Psicodelia e Jazz,  através de uma produção orgânica, mesmo com os efeitos e desconstruções dos arranjos, de instrumentação bem timbrada, cheia vida e personalidade, potencializando a sensibilidade e a inventividade da banda

Completando a formação temos Walter Cruz (teclado), Arthur Lôbo (baixo) e Kelton Gomes (guitarra) e Caio Fonseca (Bateria), com a participação especial do baterista Thiago Cunha, da banda Passo Largo, que eventualmente também participa dos shows.

Definitivamente, um álbum criado por mentes musicais inteligentes, para ouvidos que gostam de prestar atenção aos detalhes.

Escute “Ninguém Estava Aqui” nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Music, Soundcloud. Ou adquira o formato físico no site oficial da banda.

 

 

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