ANIME: Erased, ” “A cidade Onde Só Eu Não Existo”

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Por Laira Arvelos

“Quando eu crescer, o suficiente para ir sozinha para onde quiser, gostaria de ir para um país distante.
Gostaria de ir para uma ilha distante. Gostaria de ir para uma ilha onde não houvesse ninguém. Gostaria de ir para uma ilha sem tristeza ou sofrimento.
Uma ilha sem adultos, sem crianças, sem colegas de classe, sem professores, sem mãe.
Nessa ilha, eu subiria em árvores quando quisesse, nadaria no oceano quando quisesse e dormiria quando quisesse.
E nessa ilha, pensaria na cidade onde apenas eu não existo. As crianças iriam para a escola como sempre, os adultos iriam para o trabalho como sempre, e minha mãe faria as refeições como sempre.
Quando penso na cidade onde apenas eu não existo, sinto-me aliviada. Eu queria ir para muito, muito longe.”

 

O que você faria se pudesse viajar no tempo? Muito já foi escrito e produzido sobre esta temática, a ideia de conseguir mudar algo no passado é um pensamento constante que faz com que compremos esta ideia.

Em Boku dake ga iani machi, este conceito é explorado em um foco mais centrado e também não é explicado como o personagem consegue a façanha, devemos aceitar que Satoru consegue voltar alguns minutos no tempo o que ele chama de ‘revival’ e embarcar na trama de buscas por mudança e aceitação do direcionamento da vida.

Não temos em nossa vida o poder sobre o passado, e talvez resida aí o fascínio por este tipo de ficção, onde nossos sonhos se concretizam nos personagens que a realizam.

O momento do revival é um espetáculo à parte da produção, sempre quando vai acontecer aparece uma delicada borboleta azul e as cenas vão se desenrolando e dissipando como em um rolo de fita de cenas, cenários e vultos.

Confira o trailer… 

A adaptação do mangá para anime foi produzida pelo estúdio A-1 Pictures com 12 episódios exibidos no ano de 2016. A música da abertura é cantada por Asian Kung-Fu Generation, banda conhecida pelas aberturas de animes famosos, como Bleach e Fullmetal Achemist.

O protagonista de 29 anos, Satoru Fujinuma, entregador de pizza, mangaká fracassado, desinteressado e triste possui o dom do qual não entende ou controla de voltar no tempo para evitar situações trágicas da qual pensa em não se envolver, mas se envolve.

A trama fica mais atraente quando uma pessoa próxima de Satoru é ferida e ele é enrolado na teia de fatos que o condiciona a principal suspeito, levado a um revival de 18 anos.

Agora no ensino fundamental em 1988, (choque para quem assiste, pois temos que rapidamente nos acostumar com o novo cenário e época da trama) Satoru criança com a mente adulta tem uma chance de mudar fatos que aconteceu no seu passado que mudarão a sua realidade. Um passado mal resolvido pode assombrar o presente.

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O peso da temática é equilibrado pela sensibilidade e doçura dos sentimentos da infância.

A questão agora é descobrir como os acontecimentos estão interligados com a tragédia recente. Satoru usa de todas as informações e inteligência que possui para evitar cada passo do serial killer, é ele que tem a pesada missão de salvar seus amigos do perigo, da violência e da morte.

A animação trata a história com muito carinho e respeito, o grande diferencial está no tom imersivo da trama, o enredo bem amarrado e fechado é uma combinação bem-feita de tensão, densidade, leveza e poesia.

Não é tão somente um trabalho sobre viagem no tempo, é um hino de profundidade e lirismo que mexe com as nossas emoções mais básicas: como não sentir medo de um assassino frio? Como não ter raiva de abuso? Como não sentir alegria dos grupos e festas infantis? Como não sentir tristeza quando é tirada a vontade de viver de uma criança?

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O grande diferencial está no tom imersivo da trama, o enredo bem amarrado e fechado é uma combinação bem-feita de tensão, densidade, leveza e poesia.

A construção de uma atmosfera de apreensão e leveza do anime nos deixa rendidos, uma trama vai se construído em volta do grande vilão, que é revelado apenas no final, mas que já é facilmente identificado por olhos mais atentos, e não, isso não estraga a trama. O porquê do estranho elo entre ele e Satoru foi desfeito com elegância no episódio derradeiro.

O peso da temática é equilibrado pela sensibilidade e doçura dos sentimentos da infância. Os momentos na escola de Satoru dão beleza a história com amizades que remontam um sentimento nostálgico de quem assiste; aquele amigo mais tímido, o mais engraçadinho, o inteligente, as histórias de heróis, brigas, esconderijos, pequenos gestos de gentileza, brincadeiras são as contribuições dos personagens secundários, que são facilmente bem quistos.

Os personagens são o grande ouro do anime, não apenas em toda trajetória de desânimo, força e reviravoltas de Satoru, mas no seu encanto, ternura e bravura. Na fortaleza e inteligência de sua mãe Sachiko, na ingenuidade de Airi e pessoalmente no drama de vida de Kayo Hinazuki; sua solidão, vazio, sua simplicidade, sua tristeza, sua fragilidade, sua amargura, seu sofrimento, são intensamente transferidos e sentidos, Kayo ‘tornou- se real” para mim.

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Os personagens são o grande ouro do anime, não apenas em toda trajetória de desânimo, força e reviravoltas de Satoru, mas no seu encanto, ternura e bravura…

O Mangá precursor do anime foi escrito e ilustrado por Kei Sanbe e publicado pela Young Ace, propriedade da Kadokawa Shoten. É cativante, positivamente no mangá acredito que a figura do vilão não fica tão óbvia, é mais construída e historicamente inserida, negativamente a primeira parte do mangá é exaustiva pois explora de modo excessivo a depressão e fracasso de Satoru, o seu pensamento perdido e colocado em demasia, o que fica visualmente cansativo.

O anime como acontece nestas adaptações corta algumas partes, porém ambas as obras são profundas e merecem ser apreciadas pela forma consistente de explorar ficção e sentimento.

Para fazer aquela maratona!

“_Iii, eu disse isso em voz alta”

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