ATUALIZANDO A DISCOTECA: Melanie Klain, “Análise do Caos” (2016)

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Melanie Klain: “Análise do Caos” (2016, Independente) NOTA:9,0

A ironia da análise de nossa realidade tupiniquim, caótica, diga-se, já reside na introdução de “Análise do Caos”, álbum de estréia da banda Melanie Klain. “Desrespeitável Público” introduz a obra da banda apresentando muitas das mazelas de nosso país como ele muitas vezes se apresenta: um circo! Neste contexto, o álbum é sim conceitual, com um olhar crítico sobre este nosso país cravado nos trópicos, “abençoado por Deus”, onde “não tem terremoto”, mas “uma tormenta pior, chamada corrupção”.

A banda nasceu em 2007 com os amigos Violla (guitarra) e Duzinho (vocais), e após mudanças na formação, um hiato, e a chegada do amigo Chapolim (vocal e guitarra) para compor o núcleo da banda, o  Melanie Klain se estruturou como um quinteto (com Pedro Bertti [bateria] e Vic Escudero [baixo]) que pratica uma música cheia de referências, mas com voz própria, totalmente fora dos padrões, principalmente dentro da cena nacional.

Confira a faixa “Lavagem Cerebral”… 

A inventividade e liberdade sonora remetem à estética irônica, catártica, paradoxal,  instigante, e sarcástica do System of a Down, e essa será a estrutura mais próxima que poderemos dar de uma referência geral. E, paradoxalmente, não espere nada parecido com o que pratica o quarteto armeno-americano, pois o que temos aqui é diferente em seus detalhes.

Também existem momentos que lembram o Slipknot e o Faith No More, mas, no geral, o Melanie Klain pratica um Metal moderno e totalmente inclassificável, como bem mostrará a imprevisível “Marcas do Abandono”, a vigorosa “Lavagem Cerebral” (que discute o controle feito pela mídia), e na raivosa “Cólera/Nação”.

Sim, existe uma veia metálica mais pulsante, indo do Metal Extremo ao Hard Rock, mas também existem cacoetes progressivos, intransigências punk/hardcore, e a sonoridade vem bem oxigenada por variações inteligentes de andamentos, passagens climáticas impressionantes e contextualizadas, além de destreza na execução instrumental e timbragens multifacetadas, como experimentamos em “Abençoado por Deus”.

Confira a faixa “Fé Cega”… 

O duelo vocal de “Diálogo” e “Guerra” (esta com detalhes de baixo sagazes) cativam pela intensidade, enquanto ao longo de todo o álbum, a dupla de guitarristas se mostra precisa em cada parcela de suas partes: virtuose, peso, e rebeldia. Ao mesmo tempo, adicionam sensibilidade à exploração musical dual da composição “Cartas de um Suicida”.

Groove, alicerce assimétrico, spoken word (como na impressionante “Fé Cega”, que discute o mercado da fé), melodia, afinação baixa, riffs rápidos, revolta, atitude, e detalhes esmerados convergem numa música única, sem par na atualidade nacional, com produção orgânica e brilhante.

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A banda Melanie Klain pratica uma música cheia de referências, mas com voz própria, totalmente fora dos padrões, tendo no inconformismo o motor de arranque de seus hinos de revolta. Mas, acima de tudo, fazem Heavy Metal de altíssima qualidade…

No geral, a música do Melanie Klain é muito original, cheia de personalidade e ousadia, que resulta numa unicidade praticamente impossível de ser replicável, principalmente pela poesia confrontadora que está perene neste primeiro full lenght da banda, jogando com palavras e formando um discurso inteligente (como na crítica inquietante de “Rede Social”), refletindo sobre nosso cotidiano, escapando da crítica gratuita mesmo que esbarre em alguns clichês do senso comum, sendo o inconformismo o motor de arranque destes doze hinos de revolta.

O encarte do CD é riquíssimo, com frases em código Morse (“mas se não há justiça, não pode haver lei”), ou a mensagem “não seja um filho da puta” em código binário, QR Codes, frases cortadas (“eu morri amando cada um de vocês”), versículos bíblicos, frases de efeitos, códigos criptografados, e muitas fotos da banda, além das letras de todas as músicas. E aconselho-vos a uma audição atenta, acompanhando cada estrofe para captar a profundidade das mensagens.

Confira o lyric-video para a faixa “Rede Social”… 

Claro que o trabalho carece de lapidação aqui e acolá. O excesso de liberdade causa pontuais deslizes, mas nada que não seja corolário de uma sonoridade tão vibrante, ou singularidade de uma banda que, mesmo com toda a identidade, ainda esta aparando as arestas de sua sonoridade.

No saldo final, quando “Reflexão” findar, temos um cartão de visitas muito acima da média, pois, já no primeiro álbum, conseguem impactar o ouvinte com reflexões das mazelas nacionais de modo a transformar algumas de suas percepções da “realidade”, nos levando a aumentar o coro para a última frase do álbum: “nós não odiamos nosso país, nós odiamos o que fizeram com ele”.

Mas, acima de tudo isso, o que temos aqui É HEAVY METAL DE ALTÍSSIMA QUALIDADE!

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