LIVRO: “Ontem à Noite era Sexta-Feira”, de Roberto Drummond

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Por Laira Arvelos

 

“Digníssimos Senhores, Digníssimas Senhoras do Júri: vim até aqui,
ziguezagueando, tergiversando, indo e vindo – isso (perdoem-me)
eu aprendi com o Rio Doce no seu tortuoso e atormentado caminho
para o mar”

 

Sinopse: É imitando o correr de um rio, que vai recebendo novos afluentes, numa viagem carregada de suspense, que Roberto Drummond narra o romance “Ontem à noite era 6ª feira”, sem dúvida alguma o livro de sua maturidade e um grande momento da ficção brasileira.

Se de um lado é bom ler histórias para imaginar lugares nunca antes visitados, do outro nada consegue tirar mais fácil aquele sorriso espontâneo do que o sabor de reconhecer nomes e lugares, o de criar com o autor uma identificação espacial, de figuras e linguagens.

Roberto Francis Drummond foi jornalista contista, romancista e cronista. Passou a infância e parte da adolescência em Guanhães, Araxá e Conceição do Mato Dentro, até fixar-se em Belo Horizonte. Estreou na literatura em 1975 com o livro de contos A Morte de D.J. em Paris, com o qual venceu o prestigiado Concurso Nacional de Contos do Paraná, em 1971, e recebeu o prêmio Jabuti, quatro anos depois. Considerado um marco do pós-modernismo, provocou polêmica ao incorporar elementos da cultura pop à sua produção ficcional. A fama mesmo veio em 1998, quando o seu romance Hilda Furacão foi adaptado para a televisão.

Em Ontem à Noite Era Sexta-Feira, Drummond nos imerge em uma trama onde Minas gerais é pano de fundo, onde ‘o sobrenatural é sempre natural’, ao ler/ouvir o relato de sua história, vamos de personagem a familiar, de júri a acusado, coniventes; somos cúmplices de uma história carregada de vida e de sentimentos.

Um livro simples. Que não confundamos simplicidade com facilidade, acredito que só se escreva com simplicidade com muito trabalho e talento. A simplicidade de sua obra está no brilhantismo de construir uma urdidura tão verdadeira e palpável. Uma leitura rápida, profunda de qualidade literária singular.

O livro é um daqueles achados que não se consegue deixar a história para depois, é preciso digeri-lo por completo ensimesmado com cada novo capítulo, dos vai e vens que vão surgindo pelas ruas, cidades e lugares. A marcha do enredo se desenrola e nos prende, a cada momento queremos mais.

O personagem narrador conta a história do Crime do Pierrot para o corpo de jurados, do qual nós leitores fazemos parte, mas todo este relato ora ou outra é acrescido de pinturas de sua história. Inicialmente conhecemos a sua família, no Vale do Rio Doce, com personagens completamente cativantes e odiáveis.

Uma sequência de matadores, por vingança e honra. O relato da morte de seu pai é contado de forma tangivel que é possível sentir o vento que agitava Dona Juliana do vale, ao som do Bolero do Carvoeiro tocado pelo conjunto de cegos. O simbolismo carregado por esta música é algo que inunda de beleza a narrativa.

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Roberto Francis Drummond foi jornalista contista, romancista e cronista, provocou polêmica ao incorporar elementos da cultura pop à sua produção ficcional. A fama mesmo veio em 1998, quando o seu romance Hilda Furacão foi adaptado para a televisão. Em Ontem à Noite Era Sexta-Feira, Drummond nos imerge em uma trama onde  ‘o sobrenatural é sempre natural’…

Pela promessa de vingança, onde terá que dar fim a Abresalão, diariamente ele treina pontaria, o que seria uma carga em sua vida, sempre questionando o porquê de não ser sido seu irmão obrigado a fazê-lo já que eram gêmeos; fato que e explorado com maestria por Drummond, a dualidade, o espelho, já não se sentem dois, mais um só. Mesmo depois da morte de seu irmão, eles continuam a disputar e discutir, a mistura da metafísica e realidade são um convite a leitura.

O envolvimento com as enigmáticas Narcisa e Rovena, gêmeas idênticas, a representação de Deus e o Diabo, bem e mal, cheias de segredos e mistérios são o monstro e amor dos que o rodeiam, seriam elas que envolveriam os personagens e cidade em uma teia de acontecimentos? Do que elas não seriam capazes?

Ontem à Noite Era Sexta-Feira é um livro extraordinário. Consistente, nos inunda com suspense, ironia, desatino, realidade, sonho, família e vingança. Certa de que o Bolero do carvoeiro não sairá da minha cabeça, outra coisa ainda me perturbaria, qual seria a influência do mar na vida dos amantes? O que a falta do mar em Minas Gerais intervém nas histórias e pessoas?

“Os que tem coração puro, hão de entender”

Atruc e ehlitrapmoc o Atevag ed Saçnugab

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