“FEUD” e a Incrível Real Rivalidade Entre Estrelas

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Por Paulo Lopes

Logo no primeiro episódio da série “FEUD”, Olivia de Havilland (personagem de Catherine Zeta-Jones) explica, em uma entrevista, que se trata do turbulento relacionamento entre as mega-estrelas Bette Davis e Joan Crawford, sobre o que seria “feud”; palavra que ela define não como uma briga ou rivalidade, mas como “puro e duradouro sofrimento” e ela, mais do que ninguém, como veremos a frente, poderia falar disso.

Confira o trailer de “Feud: Bette and Joan”

E é disso que á serie vai tratar, mesmo porque uma segunda temporada, já confirmada, vai retratar do relacionamento entre Charles e Diana, Príncipes de Gales, que não eram propriamente rivais, mas viveram uma trajetória de muito sofrimento.

Criada para Fox TV, por Ryan Murphy (o criativo idealizador das ótimas “GLEE” e “AMERICAN HORROR STORY”) “FEUD” se propõe a contar na primeira temporada (8 episódios) o ato final da conturbada trajetória de duas grandes divas de Hollywood, ou seja, quando as duas se dispuseram a atuar juntas em um filme que seria como o fecho final do relacionamento entre elas. O filme, “O QUE ACONTECEU COM BABY JANE?”( What Ever Happened to Baby Jane?/1962), narra o relacionamento turbulento entre duas irmãs, decadentes ex-estrelas de cinema, uma delas paralitica. Susan Sarandon, faz Bette Davis e Jessica Lange, Joan Crawford.

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A primeira temporada de “Feud”, novo projeto de Ryan Murphy (“Glee” e “American Horror Story”), se trata do turbulento relacionamento entre as mega-estrelas Bette Davis e Joan Crawford…

E a história real? Essa história começou muitos anos antes, quando as duas eram expoentes máximos como celebridades hollywoodianas. De temperamento completamente opostos, Bette Davis era a estrela maior da Warner e Joan Crawford da MGM.

Apesar da disputa pelos holofotes, as hostilidades começaram mesmo quando as duas se interessaram pelo mesmo homem, o ator Franchot Tone. Bette Davis chegou a confessar publicamente sua paixão, mas ele acabou se casando com Crawford.

Mas se Crawford ficou com homem, Bette Davis levou o “Oscar” por sua atuação, ao lado de Tone, em “PERIGOSA”(Dangerous/1935). Na premiação, Crawford acompanhada pelo marido Franchot Tone, ao cumprimentar Davis, definiu como “camisola” o vestido usado por Bette Davis, naquela noite.. A partir dai a guerra estava declarada!

Bette alfinetou: “Eu sou muito boa em interpretar personagens malvadas, por que realmente eu não sou assim… é por isso que a Joan Crawford, sempre interpreta as boazinhas” e de outra feita disse: “Joan Crawford já dormiu com todos os astros da MGM, exceto a Lassie…”

 

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Joan Crawford e o marido Franchot Tone, em Nova York, no ano de 1937. Bette Davis chegou a confessar publicamente sua paixão por Tone, mas ele acabou se casando com Crawford.

Em meados dos anos 40, Joan Crawford se demitiu da MGM e advinhe com qual estúdio ela assinou um novo contrato? Claro, com a Warner, o estúdio de Bette; Seu primeiro pedido foi um camarim ao lado do da rival. Nessa época, consta que Joan até tentou uma aproximação com Bette, enviando presentes e agrados, mas Bette devolvia todos, acusando Joan de tentar “canta-la”, pois os boatos da bissexualidade de Joan Crawford eram antigos nos bastidores da indústria.

Como estavam as duas em um mesmo estúdio, passaram também a disputar papéis e Bette levou a pior: recusou o papel principal de “ALMAS EM SUPLICIO”(Mildred Pierce/1945), que ficou com Joan Crawford, que ganhou seu primeiro “Oscar” pelo papel. Davis já havia ganho um segundo “Oscar”, em 1939, por “JEZEBEL”(Jezebel/1938).

Durante os anos 50 as carreiras de ambas declinaram. Bette Davis chegou a publicar um anuncio bem humorado em um jornal pedindo emprego em Hollywood. Aí, então, chegamos a história contada em “FEUD”… O diretor Robert Aldrich decidiu filmar o romance “O que aconteceu a Baby Jane?”, de Henry Farrell e, por razões óbvias, queria as duas atrizes para os principais papéis.

Numa indústria que sempre deu poucas oportunidades a veteranos, ele enfrentou muita resistência e só conseguiu viabilizar a produção graças a Seven Arts, uma produtora independente que bancou o projeto. Coube a Joan Crawford a tarefa de convencer Bette Davis, que na época atuava na Broadway, na peça “A Noite do Iguana”. Ela, é claro, topou. Mas a trégua ficou nisso! As próprias filmagens de “O QUE ACONTECEU A BABY JANE”, dariam um filme (olha “FEUD” ai!).

De inicio Joan Crawford exigiu um camarim maior, ao que Bette retrucou: “Camarins grandes não fazem grandes filmes….”. Joan, que era viúva do presidente da Pepsi, mandou instalar nos estúdios uma máquina da bebida; Provocante, Bette mandou instalar uma da Coca-cola, bem ao lado.

O diretor Robert Aldrich decidiu filmar o romance “O que aconteceu a Baby Jane?”, de Henry Farrell e, por razões óbvias, queria as duas atrizes para os principais papéis. O filme foi um sucesso imediato e as duas atrizes, que tinha porcentagem nos lucros fizeram uma fortuna.

Em uma das cenas em que as duas personagens se defrontam, Bette acertou com vontade um chute na cabeça de Joan e se fez de inocente. Na sequencia dessa cena em que Bette teria de arrastar Joan e seria filmada no dia posterior, Joan colocou pesos em sua roupa agravando um problema de coluna de Bette.

O filme foi um sucesso imediato e as duas atrizes, que tinha porcentagem nos lucros fizeram uma fortuna. Pelo seu papel, Bette Davis recebeu sua décima indicação ao “oscar”, mas Joan não deixou barato.

Não se sabe como, combinou com as outras atrizes indicadas, que se uma delas fosse a vencedora, ela subiria ao palco para receber o prêmio e assim aconteceu; Anne Bancroft foi a vencedora por “O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN” ( The Miracle Worker/1962). Triunfante, Joan Crawford subiu ao palco para receber o prêmio por Anne. “Comportamento desprezível” – sentenciou Bette.

Por incrível que pareça em 1964, a convite do mesmo Robert Aldrich, as duas aceitaram trabalhar juntas em “COM A MALDADE NA ALMA” (Hush…Hush, Sweet Charlotte/1964), mas logo no inicio das filmagens Joan desistiu. Bette comemorou a decisão bebendo uma taça de coca-cola.

Nunca mais estiveram juntas nas telas. Joan Crawford morreu em 1977. Claro não faltou a alfineta de Bette: “Deve-se falar só coisas boas dos mortos. Joan Crawford está morta. Que bom!”. É bom salientar, que existem duvidas sobre a veracidade dessa afirmação. Mesmo porque, em sua autobiografia, Bette elogia o profissionalismo de Joan e ainda tece agradecimentos pela oportunidade que ela lhe deu em 1962, com o papel de Baby Jane.

Bette Davis morreu aos 81 anos, em 1989. A impressão que fica, é que essas duas estupendas mulheres e atrizes colossais, souberam “brincar” com essa rivalidade, cultivada por tabloides e os grandes estúdios, a revertendo em beneficio próprio.

ALÉM DE “FEUD”: Olivia de Haviland e Joan Fontaine. Certamente, com a continuidade de “FEUD”, este será uma das próximas rivalidades abordadas… 

Não é o caso de outra histórica rivalidade cultivada desde o berço, por duas outras grandes atrizes e irmãs na vida real, OLIVIA DE HAVILAND e JOAN FONTAINE. Com certeza, com a continuidade de “FEUD”, este será um dos próximos temas; A pista já foi dada com a participação de Catherine Zeta-Jones, aparecendo como Olivia de Haviland, no primeiro episódio.

Este é conhecido como o maior caso de rivalidade dos bastidores do cinema. Nascidas em Tokyo, filhas de pais ingleses, Joan, a mais nova tinha a saúde frágil e por isso, a família se mudou para a Califórnia. Mas Olivia achava que a irmã só queria aparecer mais que ela. Consta que certa vez, ainda meninas, numa brincadeira, Olivia quase quebrou a clavícula da irmã. Em um jornal da escola, num concurso, Olivia publicou um falso testamento em que dizia: “Deixo para minha irmã, toda a minha beleza, visto que ela não tem nenhuma.”

Pretendentes a carreira artística, ambas disputaram a chegada ao estrelato. Olivia chegou primeiro e logo começou a ter bons papéis no cinema. A primeira disputa real foi pelo papel de Scarlet O’Hara em “…E O VENTO LEVOU” (Gone with the Wind/1939).

Ambas perderam para Vivien Leigh, mas Olivia ficou com o papel de Melanie no filme; Isto porque, durante um teste, Joan sugeriu ao diretor, que se era uma personagem sem glamour, que ele procurasse sua irmã. Olivia fez o papel, foi indicada ao “oscar”, mas não ganhou .

ALÉM DE “FEUD”: Dean Martin e Jerry Lewis, nunca se “bicaram”; Mesmo fazendo comédias com um humor imbatível e campeões absolutos de bilheteria…

Mas Joan se destacou no ano seguinte, ao trabalhar com Hitchcock em “REBECCA-A MULHER INESQUECÍVEL” (Rebecca/1940), quando recebeu sua primeira indicação. Não levou desta vez, mas ganhou no ano seguinte com “SUSPEITA”(Suspicion/1941), dirigida de novo por Hitchcock. E pior, concorria com a irmã Olivia de Haviland, indicada pelo filme “A PORTA DE OURO”( Hold Back the Dawn/1941).

Nos bastidores Joan, ignorou o cumprimento da irmã e na sua autobiografia escreveu sobre esse momento: “Todo o ódio que sentíamos uma pela outra desde crianças, os puxões de cabelos, as brigas selvagens, a vez que ela tentou quebrar a minha clavícula, todas essas imagens voltaram como num caleidoscópio…”.

Quando em 1947, Olivia ganhou seu primeiro “oscar” por “SÓ RESTA UMA LÁGRIMA”( To Each His Own/1946), foi a vez dela recusar o cumprimento da irmã. Olivia ainda ganharia outro “oscar” como melhor atriz em 1950 por “TARDE DEMAIS”( The Heiress/1949). No natal de 1961, a família tentou uma trégua entre as duas, mas a mágoa era demasiada e tudo terminou em briga.

Em 1969, Joan chegou a ajudar a irmã que morava em Paris e atravessava dificuldades, mas com a morte da mãe em 1975, selou-se a definitiva inimizade e as duas nunca mais se falaram. Joan Fontaine morreu em 2013 e Olivia, apesar de tudo, demonstrou publicamente seu pesar. Olivia ainda esta viva e mora em Paris há 60 anos.

ALÉM DE “FEUD”: Fred Astaire e Ginger Rogers protagonizaram outra rivalidade memorável…

Hollywood e o mundo do cinema esta repleto destas histórias de ódio e rivalidade, as vezes em situações poucos prováveis. Dean Martin e Jerry Lewis, nunca se “bicaram”; Mesmo fazendo comédias com um humor imbatível e campeões absolutos de bilheteria durante anos, nunca foram amigos. Nos seus últimos trabalhos juntos nem mesmo se falavam. Brigaram feio e só voltaram a se falar pouco antes da morte de Dean, em 1995.

Fred Astaire e Ginger Rogers protagonizaram outra rivalidade memorável. Fizeram 10 filmes juntos, mas Fred achava que Ginger era uma caipira e tinha dificuldade em passos mais complicados. Ao que Ginger retrucava: “Faço tudo o que ele faz, só que de salto alto…”.

Rivais no amor de um homem, Elizabeth Taylor e Debbie Reynolds, foi outro caso de antagonismo em Hollywood. Eddie Fischer, marido de Debbie e pai da recentemente falecida Carrie Fischer (‘STAR WARS”), traiu Debbie com Elizabeth Taylor, que era amiga intima do casal; Eddie e Elizabeth, se casaram em 1959. Mais uma rivalidade instalada.

Marlon Brando e Frank Sinatra, cultivaram uma antipatia desde que, em 1955, Sinatra criticou a atuação e o “oscar” de Brando em “SINDICATO DE LADRÕES”(On the Waterfront/1954), justamente quando os dois faziam juntos “ELES E ELAS”(Guys and dolls/1955); A partir daí Brando, com todo seu talento interpretativo, tripudiou Sinatra, que era apenas um ator mediano, em cada tomada do filme. Anos mais tarde, Brando disse: “Sinatra é o tipo de cara, que quando chegar ao paraíso, vai dar tanto a trabalho a Deus, que vai deixa-lo careca”.

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ALÉM DE “FEUD”: Marlon Brando e Frank Sinatra, cultivaram uma antipatia desde 1955…

A antipatia entre Alfred Hitchcock e Tippi Hendren, começou nas filmagens de “OS PASSAROS”(The Birds/1963), quando ela ficou incomodada com as péssimas condições-segundo ela- de trabalho dos sets de filmagens; Mas que se revelaram serem mais do que isso, quando em 2016, ela contou em suas memórias, ter sido continuadamente assediada sexualmente pelo famoso diretor.

Passando para um panorama mais recente, destaca-se a rivalidade nascida entre Shirley McLaine e Debra Winger, a partir das filmagens de “LAÇOS DE TERNURA”(Terms of Endearment/1983). Debra sempre teve fama de ser uma estrela complicada. E sua personalidade irritava profundamente Shirley. Conta-se que em certa ocasião, durante as filmagens, provavelmente em meio a uma discussão, Debra abaixou a calça e ofereceu um peido a uma carrancuda e estupefata Shirley. Acabou que as duas foram indicadas ao “oscar” (atriz e atriz coadjuvante), mas só Shirley ganhou. Em 2008, em uma entrevista Shirley disse: “O tempo cura todas as feridas? Vamos apenas dizer que isso não se aplica nesse caso”.

A rivalidade do momento em Hollywood é entre Angelina Jolie e Jennifer Aniston, desde que a primeira “roubou” o marido da segunda. O marido em questão: Brad Pitt. Jennifer até tentou amenizar a questão quando disse: “Eu acho que é a hora das pessoas pararem com essa fofoca boba, celebrarem um bom trabalho e parar com toda essa besteira”… Mas o fato é que onde uma está a outra não aparece. Oscars e Globos de Ouro tão aí prá comprovar isso. E pior, depois da separação de Pitt e Jolie, as noticias são de uma profunda irritação de Jolie, com a possibilidade de reaproximação do antigo casal. Mais um antagonismo eterno em vista.

Pelo visto, “FEUD” deve ter muitas temporadas.

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