VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Trouble, “Psalm 9”

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Dia Indicado para ouvir: Sábado;

Hora do dia indicada para ouvir: oito da noite;

Definição em poucas palavras: Participação de Cristo, guitarra, pesado, True Metal, e sorumbático;

Estilo do Artista: Doom/Heavy Metal;

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Trouble: “Psalm 9” (1984, Metal Blade Records/ 2017, Hellion Records)

Comentário Geral: Muito além de ser um dos grandes nomes do Doom Metal, o Trouble é, sem dúvidas, um dos precursores a inserir motivos cristão em suas letras e conceitos numa época em que os arquétipos satanistas cresciam dentro do gênero, criando um estilo próprio dentro do Heavy Metal oitentista.

Oriunda da musicalmente histórica Chicago, a banda surgiu na coletânea “Metal Massacre IV”, em 1983, com a música “The last Judgment”, seu primeiro registro, ao lado de bandas como Lizzy Borden e Bitch. Esta participação impulsionou a assinatura do contrato com a Metal Blade em 1984, ironicamente uma gravadora que tinha em seu cast uma maioria de bandas, digamos, com pontos de vista satânicos.

Confira a banda atacando “Psalm 9” na TV norte-americana… 

Ainda forjando sua estética sonora por uma atmosfera altamente obscura, lançaram em 1984 seu primeiro trabalho, “Psalm 9” (destacando-se já pela capa de Gary Docken), onde não somente não iam contra a corrente temática sombria e agressiva da época, mas também mostravam oposição à competição velada que existia entre as bandas quanto a velocidade.

O quinteto apresentava ritmo mais lento e cadenciado, frequências baixas, e clara reverência às texturas orgânicas e valvuladas da década anterior, pincelando um pouco de experimentalismo e psicodelia.

Com claras referências ao Black Sabbath (como na rastejante “The Tempter” ou na rocker “Revelation [Life or Death]”), o Trouble usava a forma britânica apresentada por nomes como Judas Priest (ouça “Assassin”), Diamond Head e Witchfinder General, para construir seus rffis bem elaborados, marcantes e lentos, seus solos harmônicos, sustentados por bateria presente e baixo estonteante, além de  temperar tudo com a forma setentista do Hard Rock psicodélico, construindo um senso misterioso, de peso sinuoso e melódico.

Confira a faixa “The Temper”… 

E já nas duas primeiras faixas, as citadas  “The Tempter” “Assassin” salta aos ouvidos a eficiência e versatilidade do vocalista Eric Wagner (mesmo que a produção não ajude muito), bem como a destreza dos guitarristas Rick Wartell e Bruce Franklin, que conseguem por em pratica todos os ensinamentos básicos do metal inglês, mas com personalidade cativante, construindo faixas como “Victim of the Insane” (climática e psicodelicamente sorumbática), “Bastards Will Pay”, “The Fall of Lucifer” (e seu forte sabor roqueiro cheio de reviravoltas), “Endtime” (que serviria de influência clara para a estética Doom/Death Metal que surgiram em alguns anos), e a clássica faixa-título, que seriam modelos a serem seguidos pelas bandas de Doom que os seguiriam.

Em suma, “Psalm 9” é heavy metal, puro e simples, e mesmo que tenha toda essa nobreza inglesa em sua alma, aproximam-se também, como esperado, da sonoridade underground norte-americana da época, de nomes como Pentagram, Saint Vitus, e Cirith Ungol. Principalmente na produção crua, suja, honesta e orgânica, dividida entre a própria banda, Bill Metoyer e Brian Slagel, que pode estranhar os ouvidos “digitalizados” de hoje, mas que é apenas fruto de sua época,  um “quando e onde” cujas dificuldades de se registrar um álbum estavam longes da realidade atual dos home studios.

Indiscutivelmente, o Trouble traz, ao menos em seus quatro primeiros álbuns de estúdio, um compêndio musical integral para se entender o Doom Metal clássico, distante do senso épico do Candlemass, e resvalando pontualmente no tecnicismo do Thrash Metal. E todo este caráter influenciador começou aqui, neste “Psalm 9”. 

Sem dúvidas, VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Formação: Eric Wagner (vocais) , Rick Wartell (guitarra), Bruce Franklin (guitarra), Sean McAllister (baixo), Jeff Olson (bateria)

Top 3: “Psalm 9”, “Assassin”, “Victim of the Insane”.

Disco Pai: Black Sabbath: “Heaven And Hell” (1980)

Disco Irmão: Pentagram: “Pentagram” (1985)

Disco Filho: The Skull: “For Those Which Are Asleep” (2014)

Curiosidades: Na contracapa do álbum está destacado o Salmo 9:9: “O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de tribulação”. Por isso e também pela profundidade espiritual das letras cristãs da banda, levaram-nos a figurar como precursores do White Metal, uma clara referência opositória ao Black Metal de bandas como Venom e Slayer à época.

Pra quem gosta de: Citações bíblicas, metal clássico, melodias arrastadas, pão e vinho.

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